A verdade é que sempre que o mano lança uma dika, o mambo tem ovo e vem a escaldar. Não me identifico com tudo e ainda bem, mas ele tem aquele brilho especial que procuro em todos os artistas. Esse brilho não é facilmente descritível porque não é linear, não se atomiza numa só variável, mas é a congregação de algumas delas, nem sempre as mesmas e combinadas da mesma maneira. Ainda assim acho que uma das variáveis mais importantes e indispensáveis em qualquer das combinações é o sentimento, a honestidade reflectida na arte que fazemos. O Jimmy tem esse brilho. E, falando com o próprio Jimmy, dei conta que não sou o único a achar que essa honestidade transpira e é palpável no lado do ouvinte. Conheço alguns artistas que não são propriamente os mais eruditos mas que me seduzem/hipnotizam com essa sinceridade e outros que falam de assuntos que levo mais a peito, com inclinações similares as minhas, mas onde a falta desse elemento crucial faz com que não os consiga apreciar por aí além. No fim do dia, só os honestos me dão vontade de voltar a rebobinar o som do princípio :).
Eu gosto muito mais do Jimmy quando ele "chora no micro", os sons dele mais íntimos e profundos conseguem as vezes ser arrepiantes (ouvir o Mãe e o Dissipando Mal-Entendidos), ele funde-se no instru e torna-se parte dele criando aquela harmonia que ressona nos nossos corações e nos transporta numa viagem sonora, como se pudéssemos sair do nosso espaço físico e andar lado a lado com o artista enquanto ele se dirige a nós.
Com os anos, ele tem vindo a criar o conceito de Illegal Promo, que é uma maneira de girar a música de maneira alternativa (e nem sempre legalmente), mas que cresceu e desenvolveu-se para um colectivo de pessoas na mesma frequência de ideias que já produziu um dos elementos que será sem dúvida um dos talentos a dar cartas no futuro do hip hop lusitano: o Deau, mano com postura, presença, desenvoltura e apetência voraz pelo micro, parte a loiça toda tipo não é nada com ele. Infelizmente, a maior parte dos MC's da parada ficam à léguas de distância, nenhum deles sendo mau, mas ficando-se pelo mediano, ofuscados pelos dois cabeças de proa, Supremo e Deau.
As últimas mixtapes têm tido esse conceito de colectivo, quase como que um formato para concerto, onde cada um tem a sua chance de brilhar e esta não escapa à regra. Saquem a dika e confiram. Os DJ's rebentaram a dika, os gajos riscam a sério, respeito é dado onde respeito é devido e esses dois DJ's têm a ginga com o fader.
Depois saquem também as "Lost Tracks" que tem alguns sons mais antigos do mano, com algumas pérolas imperdíveis (as minhas preferências vão para "Queres ser um MC" e "Poeta Sonhador").
E agora vai mazé estudar.
01. Intro - Dj Sir & Deeflow02. Hardcô - Supremo G & DK
03. Let the music play - Supremo G & Rusty
04. Estilo livre - Eric P
05. Amor com amor se paga - DK & Supremo G
06. Mãe - Supremo G
07. Gameover - Discreto & Jêpê c Supremo G
08. Back to back - Dj Sir & Deeflow (interlúdio)
09. De volta - Supremo G & Damani Van Dunem
10. Dissipando mal-entendidos - Supremo G
11. Revolu-som - Contrabando 88 (bonus track)
Live on Stage
Lost Tracks
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